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BRINQUEDOS DA NOITE

26/11/2010

Portal Literal – Paulo Valença

“Prepara-se para sair. Veste a blusa vermelha, as calças brancas, escolhe as sandálias pretas e, defronte ao espelho, devagar passa o creme sobre as faces. Pensativa. O Marcos irá encontrá-la naquele barzinho à beira-mar, ali em Olinda. Está tudo certo. Como sempre, ele será pontual, não faltará ao encontro. Conhece-o bem. Um cara de palavra, à moda antiga.
Sorri com a frase “à moda antiga…” Sacode os cabelos para trás, num gesto nervosinho, gracioso e erguendo-se da banqueta cruza o quarto.
Desce a escada em caracol, sob o olhar da mãe na cadeira de rodas, afasta-se apressada. Não, não quer vê a imagem da senhora magra, envelhecida, acabando-se na doença sem cura, vivendo (vivendo?) de remédios. E saber que chegará à hora na qual terá de internar a mãe, na preparação da morte! Mas, assim é a vida. Os imprevistos. A sentença determinada.
No oitão da residência, entra no automóvel e logo está na avenida ainda bem movimentada nessa noite da sexta-feira, em que como uma tradição, os casais buscam os bares, os recantos com música, “embalos”.
Um dia, numa hora, todo esse seu presente, como é natural, se converterá em lembrança. Até lá…
– Danem-se as reflexões!
O desabafo baixinho, na voz rebelde, em protesto do que lhe sucederá.
Dirige com precaução, evitando uma “batida”, ou um atropelamento. Consulta o relógio, no pulso: 9, 39. O Marcos deve estar chegando. Que merda: esqueceu o celular!… Moreno, alto, esguio. Sorridente, charmoso,…” (Leia e comente)

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LITERATURA: BARBUDOS CRETINOS E SUAS HISTÓRIAS CANALHAS

24/01/2010

Portal Literal – Folhetim pulp. Escrito por Ana Paula Maia.

“O lixo está por todo lugar e são de várias espécies: atômico, espacial, especial, hospitalar, industrial, radioativo, orgânico e inorgânico; mas Erasmo Wagner só conhece uma espécie de lixo. Aquele que é jogado pra fora de casa. A imundície, o podre, o azedo e o estragado. O que não presta pra mais ninguém. E serve apenas para os urubus, ratos, cães, e pra gente como ele. Trabalha no caminhão de lixo parte do dia. Larga às quatro da tarde. Conhece o conteúdo de alguns sacos só pelo cheiro, formato e peso. Já teve tétano. Já teve tuberculose. Já foi mordido por rato e picado por urubu. Conhece a peste, o espanto e o horror; por isso é ideal pra profissão que exerce.

Revende em casa aquilo que acha em bom estado: Colchão, estrado de cama, vaso sanitário, portas, armários, grades, cofres, cadeiras, canos e o que mais puder ser aproveitado. Lucra metade de seu salário com a venda do lixo.

Não pensa nos miseráveis dos aterros sanitários que também poderiam lucrar com o que há de melhor no lixo. Ele realmente não se importa. Assim, como quem está acima dele, não se importa também. Na escala decrescente de famintos e degenerados, ele ocupa um posto pouco acima dos miseráveis. É como levar um tiro de raspão…” (Leia e comente)

OS FRIAS DEFENDEM A DEMOCRACIA CONTRA AS CRIANÇAS BRASILEIRAS

15/10/2009

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Agência Carta Maior – Emir Sader

“A família Frias é uma família democrática. O pai, democraticamente, legou ao filho a direção da empresa que dirigia há décadas, para garantir que continue sendo uma empresa defensora da democracia.

O filho, desde então, é democraticamente reeleito pelo Comitê Editorial para dirigir a empresa do seu pai. Escreve democraticamente os editoriais do jornal para expressar a opinião da empresa, sem consulta aos jornalistas – que ele mesmo escolhe e demite para democraticamente trabalhar na empresa…”

“…Na semana passada a empresa democrática prestou mais um serviço à democracia brasileira, ao desmascarar o governo federal, que pretende – de forma demagógica, populista, com recursos públicos – cometer mais um crime contra a democracia: doar gratuitamente uniformes escolares para 50 milhões de crianças. Não importa o fato, mas que, alem de gastar recursos dos impostos que a empresa não paga ao governo, fazê-lo em ano eleitoral (dois dos quatro anos do mandato são eleitorais, o que deveria fazer com que um governo democrático se abstivesse desses atos populistas pelo menos durante a metade do seu mandato, cumprindo com os mandatos democráticos do Estado minimo).

Danem-se os 50 milhões de crianças. Afinal, não são consumidores das mercadorias produzidas pelas empresas Frias, não consomem automóveis do ano, não viajam três vezes por ano ao exterior, não bebem uísque importado – em suma, não são leitores que interessem…” (Leia mais e comente a matéria)