Posts Tagged ‘Poesia’

UM NATAL BRASILEIRO

23/12/2016

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Contos, Crônicas e Poesias por Regina Gois de Mello

Lá vem a menina e a mãe.

A mãe vem sempre à frente.

O vento sopra quente.

O Sol já está indo para o poente.

O suor escorre pelo rosto,

e desce pelo corpo dessa gente.

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A mãe se abaixa e apanha lenha.

A menina recolhe varinha.

De varinha, em varinha,

monta também seu feixe.

Pobre também tem fantasias.

sonham em assar um peixe.

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Não podem voltar de mãos vazias,

carregando só esperança por hora,

a menina vem contente,

sabe que no Natal tudo é diferente.

Pensa em seus irmãos inocentes,

quem sabe em nossa mesa vai ter algo quente.

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Nas fazendas todos estão a comemorar,

dá para sentir o cheiro de assados no ar.

na cabeça o feixe de lenha a pesar,

no rosto, gotas gordas, teimam em rolar,

rolam até sua boca alcançar,

e o gosto salgado da vida só vem aguçar.

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A mãe para e se vira de repente,

então a menina se põe a pensar:

Hoje é natal, por que seu olhar não está contente?

Impaciente, a mãe joga seu feixe pelo ar.

Dói, mas é preciso falar: Não adianta lenha apanhar,

em casa não tem o que cozinhar.

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ARTE DO CONVÍVIO

07/05/2010

CAPAZ DE APROXIMAR AS PESSOAS, OBRAS ARTÍSTICAS RESISTEM ÀS AMEAÇAS TOTALITÁRIAS E CRIAM ESPAÇOS DE DIÁLOGO

Revista e

“Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas.” Quando o poeta alemão Heinrich Heine alertou o mundo com essa frase, clarões de fogo anunciavam uma das piores tragédias já vistas pela humanidade. Era dia 10 de maio de 1933, e soldados nazistas promoviam a destruição de milhares de obras literárias, consumidas pelas chamas nas praças públicas, em várias cidades da Alemanha.

Da chamada “higienização” da literatura para a limpeza étnica não houve um caminho muito longo, e o restante da história, confirmando a previsão de Heine, é bem conhecida: milhões de judeus mortos, entre outras minorias, em campos de concentração.

Em face desses episódios, Hanna Arendt [filósofa alemã de família judia, 1906-1975] identificou o maior aliado nazista: a discriminação. “Hitler previa que na guerra o racismo seria um aliado mais forte na conquista de simpatizantes (…) o racismo deliberadamente irrompeu através de todas as fronteiras nacionais, definidas por padrões linguísticos tradicionais ou quaisquer outros” (Origens do Totalitarismo, Companhia das Letras, 2007).

Fim da liberdade

A arte naquele período tornou-se o primeiro alvo das tropas nazistas. Para o professor de Teoria Literária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Márcio Orlando Seligmann-Silva, o regime totalitário pretendia instrumentalizar a arte e a literatura com fins políticos. “Os nazistas só admitiam…” (Leia e comente)

A BRIGA DE DOIS CEGOS POR CAUSA DE UMA ESMOLA

06/11/2009

cegos 2

Jangada Brasil – Enéias Tavares dos Santos

Eu volto agora à poesia
com a mente aperfeiçoada
contando mais um gracejo
que o povo dar gargalhada…
uma briga de dois cegos
que eu achei muito engraçada.

Aconteceu em Rio Largo
no estado das Alagoas;
esta cena interessante
vista por muitas pessoas
pois eu só conto o passado
não conto coisas atoas!

De Maceió, em um trem
para Rio Largo rumei
quando saltei na estação
para a feira me encaminhei
e lendo livros para o povo
o dia todo passei.

Lá para as tantas da tarde
a feira já terminado
eu então fechei a mala
e fiquei assim, conversando
olhando o que se passava
e algum transporte esperando. (Leia e comente)

POESIA NA FAVELA

22/10/2009

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Bons Fluídos – Raphaela de Campos Mello / Foto: Alcimar Frazão (Reporter Brasil)

“A POESIA SE TORNOU O CARTÃO DE VISITA DA CHÁCARA SANTANA, BAIRRO DA ZONA SUL DE SÃO PAULO. A QUEM INTERESSAR, ESSE É O ENDEREÇO DO SARAU DA COOPERIFA, TRIBO AFINADA COM A FORÇA TRANSFORMADORA DO VERBO.”

“Povo lindo, povo inteligente.” Com esse bordão, o poeta Sérgio Vaz se dirige à plateia reunida no bar do Zé Batidão, na periferia de São Paulo. Inquieto e espontâneo, ele é o idealizador da Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa), que completa 8 anos este mês. Fruto do turbilhão criativo que o habita e, sobretudo, da ajuda de amigos e de colaboradores, a iniciativa tem um nobre objetivo: “Comungar a cidadania através da literatura e da palavra”, como define Sérgio. O pilar central da iniciativa é o sarau que acontece todas as quartas-feiras no bar mais animado do bairro. “Pode chover, ter enchente, jogo do Brasil contra a Argentina, e assim por diante”, brinca o agitador cultural, que ironicamente assina como Vira-Lata da Literatura. Um homem apaixonado pela palavra e pela periferia, seu berço e sua musa inspiradora. “Sou um poeta que ama sua comunidade. Nada mais”, dispara. Cada encontro atrai Atitude uma média de 250 pessoas. Emocionados e concentrados, às vezes espremidos, os poetas e frequentadores mostram que chegou a hora de desfazer a crença de que nas áreas mais afastadas dos centros das grandes cidades não há produção cultural, e sim somente pobreza e violência…” (Leia mais e comente a matéria)

POESIA E INTERNET

10/08/2009

poema

Portal Literal – Obed de Faria Junior

“O mercado editorial não apresenta espaço, atualmente, para poesia. As chances concretas de que um livro de poemas seja editado dependem quase que exclusivamente de que o autor banque por isso. O fato é que livros de poemas não são produtos viáveis porque, tendo uma procura muito baixa, isso não proporciona o que se chama “ganho de escala” (mal explicando, o custo de qualquer mercadoria é tão mais baixo quanto seja maior a quantidade que se produza). Entretanto, por que a Internet está cheia de gente que se dedica com maior interesse pela poesia? Ah! Para isso eu tenho minha própria tese.

Fazer poemas, hoje em dia, é válvula de escape para estresse, meio de terapia para depressão, forma de expressar o “eu interior” para quem busca a iluminação, e por aí vai. Qualquer oficina cultural mambembe promove cursos sobre “como fazer poesia”. Regras básicas: escreva pouco, utilize frases curtas, fale somente o essencial, “o que importa é o que você sente!”…” (Leia mais)

COMPREENSÃO

03/06/2009

separar

Portal Liberal

“O grito mudo daquela árvore
arrancada do solo
com as raízes apegadas à terra,
eu compreendi
quando senti
nas raízes machucadas dos meus dedos
a dor das minhas mãos arrancadas
das tuas…”